Guia de Florianópolis · História

História de Florianópolis e da Ilha: dos sambaquis aos açorianos.

Por Campeche Lofts · Atualizado em 12 de outubro de 2026

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Foto: Campeche Lofts

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A Ilha de Santa Catarina tem milhares de anos de ocupação. Antes dos europeus, viveram aqui povos dos sambaquis e os Carijós. Depois vieram a vila de Desterro, as fortalezas e, no século 18, milhares de açorianos. O Ribeirão da Ilha, no sul, guarda um dos núcleos açorianos mais antigos. Este guia conta tudo isso de forma simples e diz onde ver cada pedaço.

A história em poucas datas.

Datas históricas variam entre as fontes. Aqui vão as mais citadas.

QuandoO que aconteceu
Milhares de anos atrásPovos dos sambaquis ocupam o litoral da ilha
Por volta de 1673Francisco Dias Velho funda o povoado de Nossa Senhora do Desterro (data oficial do município: 17 de fevereiro de 1673)
1726Desterro é elevada a vila
1748 a 1756Chegam cerca de 6.000 açorianos; nascem freguesias como Lagoa da Conceição, Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha
1894Desterro passa a se chamar Florianópolis
1926Inauguração da ponte Hercílio Luz
Algumas fontes citam 1675 para a chegada de Dias Velho e há pequenas diferenças no dia da elevação a vila (23 ou 26 de março de 1726). Por isso o texto usa "por volta de" quando cabe.

Antes dos europeus.

A ilha já era habitada havia muito tempo.

Povos dos sambaquis

Sambaquis são grandes montes de conchas, feitos por grupos de caçadores, pescadores e coletores que viveram no litoral. Estudos da UFSC tratam esses montes como construções humanas, com sepultamentos e objetos, e não só como lixo de comida.

Carijós

Quando os europeus chegaram, o litoral era ocupado por povos de língua tupi-guarani, chamados de Carijós. Viviam da roça, da pesca e da coleta de moluscos. A colonização reduziu muito esses povos.

Não há consenso nas fontes que consultamos sobre uma ligação direta entre os povos dos sambaquis e os Carijós. Por isso não afirmamos uma ligação entre eles.

Marcas dessa ocupação antiga aparecem até hoje, como as gravuras rupestres da Ilha do Campeche, protegida pelo Iphan. Leia como visitar no nosso artigo Ilha do Campeche: como visitar e regras.

Dias Velho e a vila de Desterro.

O começo da cidade, ainda pequeno e frágil.

  • Fundação: o bandeirante paulista Francisco Dias Velho iniciou o povoado de Nossa Senhora do Desterro por volta de 1673. O município adota 17 de fevereiro de 1673 como data oficial.
  • Ataque de piratas: Dias Velho morreu em um ataque de piratas, nos anos 1680. Parte dos moradores deixou o lugar depois disso.
  • Vila: em 1726, Desterro foi elevada a vila, separando-se de Laguna. O dia 23 de março, da elevação, segue como aniversário tradicional da cidade.
  • Defesa militar: a partir de 1739, o brigadeiro José da Silva Paes recebeu a missão de fortificar a ilha para proteger o porto. É a origem das fortalezas, que têm guia próprio.

A chegada dos açorianos (1748 a 1756).

A mudança que mais marcou a cara da ilha.

Em 1747, uma provisão régia organizou a vinda de casais das ilhas dos Açores para ocupar o litoral sul do Brasil. As primeiras famílias chegaram ao porto de Desterro em 1748. Entre 1748 e 1756 vieram cerca de 6.000 açorianos, mais umas 50 pessoas da Madeira, segundo o Portal da Açorianidade.

Lagoa da Conceição e Santo Antônio de Lisboa

A Wikipédia descreve a primeira colônia açoriana às margens da Lagoa da Conceição (março de 1748), seguida de Santo Antônio de Lisboa. Esta já tinha moradores antes de 1748.

Ribeirão da Ilha

Entre as freguesias criadas nesse povoamento, aparece o Ribeirão da Ilha, no sul. Veja a seção seguinte.

Terra firme

No continente, em frente à ilha, nasceram São José da Terra Firme, São Miguel e Enseada de Brito.

Promessas de terra e ferramentas nem sempre foram cumpridas por inteiro, e os recém-chegados enfrentaram dificuldades. As fontes divergem sobre datas exatas de cada freguesia, por isso citamos só o período.

Ribeirão da Ilha: um dos núcleos açorianos mais antigos.

O lugar que o Campeche deixa a cerca de 20 minutos de carro, sem trânsito.

  • Origem: a Wikipédia o descreve como um dos mais antigos núcleos de colonização açoriana, fundado em meados do século 18, e como o segundo distrito mais antigo de Florianópolis, depois de Santo Antônio de Lisboa. As fontes não o apontam como o primeiro: Lagoa da Conceição e Santo Antônio costumam ser citadas antes.
  • Casais: relatos falam em cerca de 50 casais açorianos, número que vem da tradição historiográfica, sem documento citado. Eles teriam abastecido as tropas das fortalezas.
  • Igreja: a capela de Nossa Senhora da Lapa data de por volta de 1760. A igreja de pedra foi inaugurada em 1806. A freguesia aparece nas fontes com a data de 1809.
  • Hoje: o casario do centro é protegido por lei municipal de 1975 e o distrito mantém o ritmo de vila, com ostras na frente da baía.

Se quiser ver essa história de perto, use nosso guia do Ribeirão da Ilha.

Florianópolis, a ponte e a modernização.

Do nome antigo ao símbolo da cidade.

1894: o novo nome

Pela Lei Estadual nº 111, de 1º de outubro de 1894, assinada pelo governador Hercílio Luz, Desterro passou a se chamar Florianópolis, "cidade de Floriano", em homenagem ao marechal Floriano Peixoto. Isso aconteceu logo após a Revolução Federalista. Uma parte dos moradores nunca aceitou bem o nome, e o debate continua.

1926: a ponte Hercílio Luz

A obra começou em 14 de novembro de 1922 e a ponte foi inaugurada em 13 de maio de 1926, ligando a ilha ao continente. Hoje é protegida por tombamento e é o cartão-postal da cidade.

A cidade cresce

Com a ponte e os anos seguintes, a ilha se abriu para o continente. Segundo o IBGE, a população passou de cerca de 25 mil habitantes em 1872 para mais de 537 mil no censo de 2022.

A mudança de nome foi um período doloroso, com prisioneiros fuzilados na fortaleza de Anhatomirim em 1894. O número exato ainda é debatido, e por isso não o citamos.

A cultura açoriana que continua.

Tradições que ainda aparecem no calendário da ilha.

Boi de Mamão

Folguedo popular com personagens como a Bernúncia e a Maricota. O município o reconhece como patrimônio cultural imaterial.

Terno de Reis

Tradição açoriana que vai do começo de dezembro ao Dia de Reis, em 6 de janeiro. Em Florianópolis, grupos se encontram na Catedral Metropolitana.

Renda de bilro

Técnica de renda trazida pelas açorianas e ainda feita por rendeiras na ilha, como na Lagoa da Conceição.

Engenhos de farinha

Os engenhos de farinha de mandioca estão entre os bens de patrimônio imaterial reconhecidos pelo município.

Pesca da tainha

A pesca artesanal da tainha na Praia do Campeche tem registro de patrimônio imaterial de Santa Catarina. É costume na praia da pousada.

Festa do Divino

Festa trazida pelos açorianos, já reconhecida como patrimônio imaterial de Santa Catarina.

Não confirmamos com a mesma segurança a origem açoriana de cada folguedo, nem o registro oficial do Terno de Reis e da renda de bilro. Por isso descrevemos só o que as fontes mostram.

Onde ver essa história.

Um roteiro simples a partir do Campeche.

Perguntas frequentes

O Ribeirão da Ilha foi o primeiro lugar com açorianos na ilha?

Não é o primeiro nas fontes que consultamos, mas é um dos núcleos açorianos mais antigos. A Wikipédia o chama de segundo distrito mais antigo de Florianópolis. Lagoa da Conceição e Santo Antônio de Lisboa costumam ser citadas antes.

Quando os açorianos chegaram a Florianópolis?

As primeiras famílias chegaram ao porto de Desterro em 1748. O povoamento seguiu até 1756, com cerca de 6.000 açorianos.

Por que Desterro virou Florianópolis?

Em 1894, após a Revolução Federalista, uma lei estadual mudou o nome para homenagear o marechal Floriano Peixoto. A mudança ainda gera debate na cidade.

Quando foi inaugurada a ponte Hercílio Luz?

Em 13 de maio de 1926. As obras começaram em 14 de novembro de 1922.

Onde ver a herança açoriana hoje?

No casario e na igreja do Ribeirão da Ilha, em festas e folguedos como Boi de Mamão e Terno de Reis, na renda de bilro e na pesca da tainha.

Fontes consultadas

Informações históricas variam entre as fontes. Confirme nos museus e nos órgãos oficiais antes de visitar.

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